terça-feira, 29 de junho de 2010

A Uma Passante

A rua, em torno, era ensurdecedora vaia.
Toda de luto, alta e sutil, dor majestosa,
Uma mulher passou, com sua mão vaidosa
Erguendo e balançando a barra alva da saia;

Pernas de estátua, era fidalga, ágil e fina.
Eu bebia, como um basbaque extravagante,
No tempestuoso céu do seu olhar distante,
A doçura que encanta e o prazer que assassina.

Brilho... e a noite depois! - Fugitiva beldade
De um olhar que me fez nascer segunda vez,
Não mais te hei de rever senão na eternidade?

Longe daquí! tarde demais! nunca talvez!
Pois não sabes de mim, não sei que fim levaste,
Tu que eu teria amado, ó tu que o adivinhaste!


Charles Baudelaire

domingo, 27 de junho de 2010

Me gusta la gente que vibra

(conheçe o Mario?)

Bom, nesse post vou falar de um Poema de um de meus autores favoritos, Mario Benedetti(inclusive o titulo do blog é de mesmo nome que o titulo de um de seus poemas), Uruguaio, morreu ano passado, era do tipo de gente que vibrava, perseguido politico durante a ditadura, engajado em varias questões sobre as ditaduras na América Latina mais sem nunca perder o amor pela poesia.

O poema é o "La gente que me gusta" em que o autor como diz o titulo vai tratando o tipo de gente que ele gosta, uma parte que eu acho que merece destaque é o começo do poema:

"Me gusta la gente que vibra, que no hay que empujarla, que no hay que decirle que haga las cosas, sino que sabe lo que hay que hacer y que lo hace.
La gente que cultiva sus sueños hasta que esos sueños se apoderan de su propia realidad.
Me gusta la gente con capacidad para asumir las consecuencias de sus acciones, la gente que arriesga lo cierto por lo incierto para ir detrás de un sueño, quien se permite, huir de los consejos sensatos..."

traduzindo

"Eu gosto da pessoa que vibra, que não tem de empurrala, que não há de dizer-lhe que faça as coisas, e sim que sabe o que tem de ser feito e o faz.
A gente que cultiva seus até que esses sonhos se apoderam de sua propria relidade.
Eu gosto da pessoa com capacidade assumir as consequencias das suas ações, a pessoa que arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, que se permite, fugir dos conselhos sensatos..."

Porra... eu concordo plenamente, as pessoas mais interessantes que conheço são pessoas que em muitos momentos se permitem fugir da sensates, que "trocam o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho", é só olhar a mioria das pessoas que só querem casar, ter filhos, ganhar dinheiro em algum emprego mediocre, são pessoas extremamente monotonas, eu prefiro a canalha! esses que não se encaixam e nem vem a necessidade de se encaixar, esse resitentes, rebeldes convictos e apaixonados...

Se recorde de mim...

Não precisa me querer
me desejar
me amar
talvez me conforme em não lhe ter.

Só não suportaria ter de esquecer
os beijos, os olhares
repletos de tanto querer
o desejo clandestino, o encanto
todos podiam ver!

Vamos! vamos! já não aguento tanto pranto!
melhor te esquecer!
melhor enterrar!
aquilo que não pode ser!

Por mais que me doa saber
que do que passamos
só quer esquecer!
quem sabe com os anos?
agora não há o que se fazer

Quando precisar é só a mim tornar
que nunca vou lhe negar
tenho vontade de lhe tomar
não queria que fosse assim
mas já que o é, a ti só peço
Não se esqueça de mim!

Estreando a serie: poesias frustradas seção melodramadica xD

A merda academica

A pouco tempo adentrei nesse tão sonhado mundo da Universidade Publica, passei em História na Unesp, Campus de Franca(um campus só de humanas), bom, eu já a um bom tempo não esperava grandes coisas do meio universitário, as ilusões de estudantes extremamente engajados, auto-criticos e que compensariam a sociedade pelo serviço que essa paga a eles (afinal universidade de graça é um mito, a universidade publica é a universidade paga por todos), mas bem, é pior do que eu imaginava.. é interessante notar a apatia geral dessa suposta "elite intelectual" brasileira, mesmo dos setores de esquerda dentro da universidade.

Longe daquelas imagens que muitas pessoas tem de um curso de humanas, principalmente História, de que é um curso engajado, preocupado com as questões sociais, que prima pela diversidade de idéias e pelo debate, nada mais errado! não é necessário nem muitas delongas sobre os professores, esses lutam apenas pela manutenção do Status acadêmico, intelectual e elitista que possui a universidade hoje, não é de hoje que é assim, é claro que hove algum avanço, mas a reclusão do conhecimento na Universidade não difere essencialmente do monopólio do conhecimento pela igreja católica, com os livros reclusos nas abadias durante a Idade Média, se cria uma "elite intelectual" não por algum mérito dessa (já que passar em uma prova tão ultrapssada como o vestibular não é um grande mérito) mas mantendo o resto da sociedade na ignorancia, mantendo a diferença entre clerigos e leigos.

Tratemos então dos estudantes, pois alguns desses gostam mesmo de posar de progressistas, engajados e esse blablabla todo, vou tratar de alguns tipos de estudantes...

Os "fachas": bom primeiro acho importante falar desses merdas para desmitificar completamente a imagem dos cursos de humanas, o setor fascista dentro da universida vem crescendo ultimamente, as posições abertamente elitistas e anti-povo estão deixando de ser tímidas e já possuem alguns porta-vozes, e muitos que concordam com essas posições tem vergonha de falar mas é só esperar um momento de polarização para os porcos mostrarem as caras, defendem a terceirização dos funcionarios, o Aumento do almoço e o maior isolamento da universidade com a comunidade externa.

Os apaticos: Um setor totalmente desvencilhado de qualquer concepção sobre a própria universidade, estão preocupados só em ir em festinhas encher a cara e pegar garotas/garotos, agem como parasitas, só estão preocupados em acabar logo a faculdade e arranjar alguma teta do estado para mamar e reproduzir o mesmo que os professores fazem com eles, e que eles reclamam só por que interfere nos interesses
deles, se alinham com os fascistas em muitas questões não por concordancia politica, mas por interesse individual, esse é, eu diria, o maior setor dentro da Universidade.

A "esquerda" festiva: Esse é o setor que mais causa vergonha em qualquer esquerda consequente, de fato fazem algumas coisas interessantes, as vezes dão algumas atividades de formação em alguns movimentos sociais, coisa que a de se conhecer que é legal, porém só vão ao movimento pra isso, "dar a linha" do que o movimento deve fazer, não trazem a discussão do movimento para dentro da universidade, afinal isso "queima-o-filme" com as dondoquinhas que esses podem pegar nas festas, que tiveram a fazenda do papai invadida por esses movimentos, me contaram de uma cena muito triste sobre esses cretinos, a algum tempo algumas senhoras do MST foram vender doces na universidade, e algum fascistinha pediu pra elas retirarem a bandeira do movimento pois "estava incomodando alguns alunos", algumas pessoas que fazem parte de um grupo de extensão que trabalha com o MST estava nesse grupo de alunos, e não falaram NADA contra essa postura.

Nunca arriscariam sua populariadade em nome dos setores oprimidos que as vezes defendem em discursos tão eloquentes, quanto longos (claro que só em momentos que não houverem pessoas das festinhas presentes), são covardes, aproveitam a oportunidade que o proletariado, de que eles tanto falam, e tanto desconhecem, da a eles pra gastar o tempo fumando maconha e enchendo o nariz de pó nas festinhas de Republica, afinal são os funcionarios (concursados ou terceirizados) que mantem a universidade funcionando, assim como é do salario do trabalhador que sai a verba para a educação superior publica.

Captam militantes nas festas, pegam alguns que possuam perfil de esquerda e levam para um assentamento, não para criar solidariedade com os trabalhadores do campo, nem para mostrar a realidade do campo no Brasil, levam como quem leva uma criança ao zoologico, a miséria é a atração principal, e vislumbrada a pessoa logo se liga a eles, e reproduz tudo o que fazem...

A esquerda troska: a esquerda hegemonica no movimento estudantil é formada principalmente por setores trotkistas, bom para falar das minhas discordancias com a estratégia troska seria necessario outro texto, dentro dessa esquerda a uma pequena variedade de perfis, entre alguns carreiristas que só querem conquistar os CA's/DA's para ter contato com a verba e poder assinar como um orgão do estado, mas a sim muitas pessoas bem intencionadas dentro dessa esquerda algumas que infelizmente pegaram os textos de algum autor ou de algum partido e o elegeram como a verdade absoluta que não pode ser questionada, e outros que ao entrarem na faculdade e verem que esse é o setor que (apesar das minhas discordancias) faz mais coisas de concreto dentro da universidade logo se ligaram a esses grupos.

Apesar de muito bem intencionados, querem construir uma universidade para o povo e etc... pecam na tentativa, querem construir a casa pelo telhado, gastam mais tempo discutindo entre outros partidos, CA's etc... do que tentando construir base no movimento estudantil para construir de fato uma aliança consequente com esses setores do povo.

E possuem a pratica já conhecida dos troskos de querer aparelhar os aparatos dos movimentos.

Os "anarquistas"/autonomistas: Bom já que critiquei todos os outros, tenho de fazer a critica aqueles que reinvindicam a mesma ideologia que eu, esses setores da universidade longe de darem uma opção libertária dentro do movimento afasta os estudantes bem intencionados por dois motivos.

Quando não é porque não fazem nada e reclamam dos outros (que apesar de tudo, fazem) fazendo diversas acusações que longe de tentar construir, tenta só manter imaculada a imagem de bons moços "anti-partidarios", ainda que pra deixar a imagem limpa não se faça nada, é porque quando bem intecionados esses setores, não tem capacidade organizacional alguma ao contrario temem a organização como uma "burocratização" e justamente por esse temor não conseguem dar respostas concretas aos burocratas e vanguardistas.

Bem, com essa crítica, não pretendo falar para as pessoas se afastarem da universidade, eu mesmo vou continuar nela por um bom tempo, nem mesmo desqualificar a utilidade do movimento estudantil, mas ressaltar a necessidade da organização dos setores anti-autoritários e pró-povo no movimento estudantil para poder dar repostas a questões concretas e construir de fato uma universidade popular, onde todos aqueles que pagam por ela possam usufruir de seus serviços.

Também não quero parecer "duro" em algumas questões, não tenho nada contra ir a festas na universidade, desde que isso não se sobreponha ao serviço que o povo está pagando a você nem a (se nao for se engajar em contruir) ao menos discutir a questão do acesso a universidade.

Paixão e Revolução.

(casal de milicianos na Revolução Espanhola)


"Todo mundo tem que viver uma grande Paixão e uma possibilidade de Revolução."

Esses dias zanzando pela internet encontrei essa frase, estava creditada a Marilena Chaui, apesar de não ter opiniões das mais simpáticas sobre a autora, a frase me chamou atenção, e acredito ser um bom conselho.

Pra mim o processo revolucionario (entendendo ele como um acirramento da luta "explorados x exploradores") não tem em si um grande caráter de paixão, porém nós, revolucionários, como um conjunto de individuos não podemos negar nosso caráter apaixonado que nos move e como isso muita vezes se transporta pra nossa vida sentimental.

Apesar de diversos setores da esquerda (mesmo da revolucionária) negarem seu caráter romântico e se pretenderem puramente ciêntificos, não conseguem esconder esse lado, nem com os maiores esforços que fazem nesse sentido, ora, todos nós queremos ter aquela sensação do impossivel se tornar cotidiano, das explosões do espirito como chamou Osugi Sakae, isso não significa limitar a luta nesse aspecto, também a é claro que o estudo criterioso da sociedade atual e da que almejamos é necessario, mas a qeustão é o que nos move de fato no cotidiano? o que nos faz entrar na luta? até mesmo em o que nos faz realizar esses estudos?

Não nos tornamos revolucionários porque alguém nos provou em alguma fórmula exata que a revolução é possivel, o maior reaça pode acreditar que a revolução é possível, apesar de dificilmente admitir isso, nos tornamos revolucionários por que passamos a ver a causa revolucionária[1] como justa, e por isso mesmo bela, muitos podem ver isso como uma dose de idealismo burgues, bom com os que acham que a defesa da liberdade é um preconceito burguês acho melhor nem debater, porém a meu ver essa concepção é extremamente elitista, daqueles que vem a beleza, a arte, a paixão só nos feitos da burguesia, pois bem basta passar algumas horas entre o povo (e por povo eu quero dizer essa grande massa dos campos e das cidades que é oprimida diariamente) para notar que muitas vezes os homens e as mulheres dessa imensa casta popular tem uma capacidade de sonhar muitas vezes muito maior do que um imbecil diplomado com uma grande conhecimento de artes, e esses sonhos, essas paixões, podem ser extremamente realistas mas como diz De Jong o que essa casta de intelectuais não percebe é que o céu dos pobres, é um céu muito modesto.

Bom, eu, como a maioria da minha geração (com a exceção de algumas regiões), nunca vivenciei uma possibilidade revolucionária, mas já vivenciei algumas pequenas vitorias imediatas, e como é bom! viver o companherismo real ainda que não entre boa parte da população, com um setor do povo, de poder saborear por um instante o tempero do prato que almejamos para as gerações futuras, imagine uma possibilidade revolucionaria de fato onde já podemos ver e saborear uma boa parte daquilo que sempre desejamos.
Por falta de uma já vivenciei algumas grandes paixões, e não é muito diferente, só o é sentido de que é mais fácil poder ter possibilidades de concretizar de fato aquilo que se almeja, mas a sensação, de querer estar junto, de tocar a pessoa, sentir seus labios contra os meus, de não saber mais de quem são as pernas entrelaçadas, de quem é o suor que se mistura na cama, o calor da outra pessoa, a empolgação abobalhada, a sensação desse companheirismo entre iguais, diferente por essencia, mas igualmente importante ao companheirismo militante, esse laço vivo que não tem por criterio nada mais que a vontade de ambos os lados, a sensação em si é muito parecida.

Uma vida sem uma dessas duas situações pode ser incompleta (para um revolucionário obviamente) mas uma vida que não tenha nenhuma das duas, talvez não valha a pena ser vivida.

[1]trato por "causa revolucionária" a vontade de realizar uma tranformação social profunda em busca de uma sociedade mais justa.

Ouvindo David Rovics "A Kiss behind the barricades" xD

sábado, 26 de junho de 2010

c'est moi

Bom já que já falei sobre o blog, agora acho legal fazer uma apresentação desse prototipo de escritor, vamos la...

apresentações nunca são fáceis na verdade, quem é capaz de se definir por completo? uma pessoa bem desinteressante eu chutaria, mas bom já que eu também não sou a pessoa mais interessante que já conheci vou fazer uma tentatativa provavelmente frustrada, e com certeza incompleta do que eu sou:

Pavil bem curto se pisar no meu calo, cometer algo que eu considere injusto, ou fizer qualquer tipo de mal as pessoas que gosto, extremamente confuso, até mesmo pra mim, o cara com medo de compromisso que já se apaixonou, está apaixonado e com certeza irá se apaixonar intensamente, porém... continua sempre com medo de compromisso, crio diversos escudos pra não me deixar vulneravel, e como são escudos certamente não falarei deles aqui, mas em contradição a isso, muitas vezes também me deixo vulneravel as pessoas, para conhecer a verdadeira cara delas, é impressionante o que fazem quando sentem que você estara sempre la por elas independente do que elas façam contigo....

Desenhista frustrado, poeta igualmente frustrado nas horas vagas, historiador em potencial, estranhamente romântico e "cafageste" as vezes mais um do que outro, socialista? sim, libertário por favor (anarquista para os íntimos), militante, gosto de artes diversas, principalmente da popular, sangue do nordestino, do negro, do indigena e do colonizador, extremamnete idiota(no bom sentido) quando acho que devo ser, chato muitas vezes (principalmente quando gosto da pessoa), sério quando o assunto é sério, se você é importante pra mim, mato e morro por você, se te considero inimigo não te dou nem um copo d'agua, e uma parcela consideralvel de pessoas que não estão em nenhum dos extremos, intenso no bom e no mal sentido, gosto da bohemia assim como gosto de ficar em casa lendo um livro ou assistindo um filme....

bom é mais ou menos isso....
agora que acabei com os textos de apresentação extremamente chatos pra qualquer um que leia (ainda que poucos assumam)... vamos tocar essa porra!!!

Ta rindo do que?

Bom, sinceramente não sei que força do meu inconsciente com um certo exibicionismo latente me fez querer ter um blog, mas deixo esse tipo de explicação a Freudianos mais capacitados, e signitivamente mais pervertidos que eu, a questão é que resolvi fazer um e ponto, não creio que terei um grande número de leitores (se é que vou ter algum) até estranharia se tivesse, fiz isso aqui mais por vontade de ter um espaço para escrever sobre o que eu quiser, e se alguem ler, ficarei feliz... e vai ser sobre o que eu quiser mesmo, política, besteiras, filmes, arte, história, tentativas frustradas de poemas... enfim... o que me der na telha, se você ta procurando um lugar onde os textos tenham alguma conexão lógica entre si, que todas as opiniões lhe agradem, e que tenha uma boa gramática, pois bem, está no lugar errado...

Você ira perceber incoerencias entre algumas opiniões aqui expressas, bom são simples mudanças de opinião, tirando algumas convicções muito caras a mim, eu certamente irei mudar de opiniões como dizia um velho simpático de bengala "os textos definitivos pertencem a religião ou ao cansaço" apesar de eu acreditar que outras pessoas não muito religiosas nem muito cansadas tentam se apegar a certos canônes, por tanto considere muitas das coisas que eu vou dizer aqui como ditas em uma conversa de boteco, muitas delas vão se perder com o tempo e deixaram de fazer parte de mim, mas não devem ser desprezadas pois fizeram de alguma maneira parte do meu ser.

A sim e também não tenho a pretensão de continuar por um bom tempo escrevendo aqui, pode ser que amanhã mesmo eu desencane, ou não...

E só pra observar... você pode me considerar louco, idiota ou qualquer coisa do tipo, e ainda que eu consideresse sanidade algo desejavel, a sua opinião não é parametro para porra nenhuma.... e outros podem ter as mesmas impressões de você... então.... De qué se ríe?