A pouco tempo adentrei nesse tão sonhado mundo da Universidade Publica, passei em História na Unesp, Campus de Franca(um campus só de humanas), bom, eu já a um bom tempo não esperava grandes coisas do meio universitário, as ilusões de estudantes extremamente engajados, auto-criticos e que compensariam a sociedade pelo serviço que essa paga a eles (afinal universidade de graça é um mito, a universidade publica é a universidade paga por todos), mas bem, é pior do que eu imaginava.. é interessante notar a apatia geral dessa suposta "elite intelectual" brasileira, mesmo dos setores de esquerda dentro da universidade.
Longe daquelas imagens que muitas pessoas tem de um curso de humanas, principalmente História, de que é um curso engajado, preocupado com as questões sociais, que prima pela diversidade de idéias e pelo debate, nada mais errado! não é necessário nem muitas delongas sobre os professores, esses lutam apenas pela manutenção do Status acadêmico, intelectual e elitista que possui a universidade hoje, não é de hoje que é assim, é claro que hove algum avanço, mas a reclusão do conhecimento na Universidade não difere essencialmente do monopólio do conhecimento pela igreja católica, com os livros reclusos nas abadias durante a Idade Média, se cria uma "elite intelectual" não por algum mérito dessa (já que passar em uma prova tão ultrapssada como o vestibular não é um grande mérito) mas mantendo o resto da sociedade na ignorancia, mantendo a diferença entre clerigos e leigos.
Tratemos então dos estudantes, pois alguns desses gostam mesmo de posar de progressistas, engajados e esse blablabla todo, vou tratar de alguns tipos de estudantes...
Os "fachas": bom primeiro acho importante falar desses merdas para desmitificar completamente a imagem dos cursos de humanas, o setor fascista dentro da universida vem crescendo ultimamente, as posições abertamente elitistas e anti-povo estão deixando de ser tímidas e já possuem alguns porta-vozes, e muitos que concordam com essas posições tem vergonha de falar mas é só esperar um momento de polarização para os porcos mostrarem as caras, defendem a terceirização dos funcionarios, o Aumento do almoço e o maior isolamento da universidade com a comunidade externa.
Os apaticos: Um setor totalmente desvencilhado de qualquer concepção sobre a própria universidade, estão preocupados só em ir em festinhas encher a cara e pegar garotas/garotos, agem como parasitas, só estão preocupados em acabar logo a faculdade e arranjar alguma teta do estado para mamar e reproduzir o mesmo que os professores fazem com eles, e que eles reclamam só por que interfere nos interesses
deles, se alinham com os fascistas em muitas questões não por concordancia politica, mas por interesse individual, esse é, eu diria, o maior setor dentro da Universidade.
A "esquerda" festiva: Esse é o setor que mais causa vergonha em qualquer esquerda consequente, de fato fazem algumas coisas interessantes, as vezes dão algumas atividades de formação em alguns movimentos sociais, coisa que a de se conhecer que é legal, porém só vão ao movimento pra isso, "dar a linha" do que o movimento deve fazer, não trazem a discussão do movimento para dentro da universidade, afinal isso "queima-o-filme" com as dondoquinhas que esses podem pegar nas festas, que tiveram a fazenda do papai invadida por esses movimentos, me contaram de uma cena muito triste sobre esses cretinos, a algum tempo algumas senhoras do MST foram vender doces na universidade, e algum fascistinha pediu pra elas retirarem a bandeira do movimento pois "estava incomodando alguns alunos", algumas pessoas que fazem parte de um grupo de extensão que trabalha com o MST estava nesse grupo de alunos, e não falaram NADA contra essa postura.
Nunca arriscariam sua populariadade em nome dos setores oprimidos que as vezes defendem em discursos tão eloquentes, quanto longos (claro que só em momentos que não houverem pessoas das festinhas presentes), são covardes, aproveitam a oportunidade que o proletariado, de que eles tanto falam, e tanto desconhecem, da a eles pra gastar o tempo fumando maconha e enchendo o nariz de pó nas festinhas de Republica, afinal são os funcionarios (concursados ou terceirizados) que mantem a universidade funcionando, assim como é do salario do trabalhador que sai a verba para a educação superior publica.
Captam militantes nas festas, pegam alguns que possuam perfil de esquerda e levam para um assentamento, não para criar solidariedade com os trabalhadores do campo, nem para mostrar a realidade do campo no Brasil, levam como quem leva uma criança ao zoologico, a miséria é a atração principal, e vislumbrada a pessoa logo se liga a eles, e reproduz tudo o que fazem...
A esquerda troska: a esquerda hegemonica no movimento estudantil é formada principalmente por setores trotkistas, bom para falar das minhas discordancias com a estratégia troska seria necessario outro texto, dentro dessa esquerda a uma pequena variedade de perfis, entre alguns carreiristas que só querem conquistar os CA's/DA's para ter contato com a verba e poder assinar como um orgão do estado, mas a sim muitas pessoas bem intencionadas dentro dessa esquerda algumas que infelizmente pegaram os textos de algum autor ou de algum partido e o elegeram como a verdade absoluta que não pode ser questionada, e outros que ao entrarem na faculdade e verem que esse é o setor que (apesar das minhas discordancias) faz mais coisas de concreto dentro da universidade logo se ligaram a esses grupos.
Apesar de muito bem intencionados, querem construir uma universidade para o povo e etc... pecam na tentativa, querem construir a casa pelo telhado, gastam mais tempo discutindo entre outros partidos, CA's etc... do que tentando construir base no movimento estudantil para construir de fato uma aliança consequente com esses setores do povo.
E possuem a pratica já conhecida dos troskos de querer aparelhar os aparatos dos movimentos.
Os "anarquistas"/autonomistas: Bom já que critiquei todos os outros, tenho de fazer a critica aqueles que reinvindicam a mesma ideologia que eu, esses setores da universidade longe de darem uma opção libertária dentro do movimento afasta os estudantes bem intencionados por dois motivos.
Quando não é porque não fazem nada e reclamam dos outros (que apesar de tudo, fazem) fazendo diversas acusações que longe de tentar construir, tenta só manter imaculada a imagem de bons moços "anti-partidarios", ainda que pra deixar a imagem limpa não se faça nada, é porque quando bem intecionados esses setores, não tem capacidade organizacional alguma ao contrario temem a organização como uma "burocratização" e justamente por esse temor não conseguem dar respostas concretas aos burocratas e vanguardistas.
Bem, com essa crítica, não pretendo falar para as pessoas se afastarem da universidade, eu mesmo vou continuar nela por um bom tempo, nem mesmo desqualificar a utilidade do movimento estudantil, mas ressaltar a necessidade da organização dos setores anti-autoritários e pró-povo no movimento estudantil para poder dar repostas a questões concretas e construir de fato uma universidade popular, onde todos aqueles que pagam por ela possam usufruir de seus serviços.
Também não quero parecer "duro" em algumas questões, não tenho nada contra ir a festas na universidade, desde que isso não se sobreponha ao serviço que o povo está pagando a você nem a (se nao for se engajar em contruir) ao menos discutir a questão do acesso a universidade.
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